Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi em Vitória-ES

Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi em Vitória-ES

A Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi em Vitória-ES foi uma daquelas experiências que mostram como a economia pode sair dos livros e entrar diretamente na discussão sobre Brasil, impostos, cidadania, educação e desenvolvimento. No dia 16 de julho de 2018, a FUCAPE recebeu Joana Naritomi para um evento patrocinado pelo Corecon-ES, reunindo estudantes, professores, profissionais e curiosos interessados em entender melhor a trajetória de uma economista brasileira formada em instituições de excelência internacional.

Joana Naritomi tem PhD em Political Economy and Government pela Harvard University e atua na London School of Economics and Political Science. Atualmente, seu perfil oficial informa que ela é Associate Professor e Deputy Dean for Academic Affairs na LSE School of Public Policy, além de pesquisar economia pública, economia do desenvolvimento e economia política. Referência: https://joananaritomi.com/ e https://www.lse.ac.uk/people/joana-naritomi. (Joana Naritomi)

Por que a Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi foi especial?

Eventos acadêmicos muitas vezes parecem distantes da vida real. Porém, aquela palestra mostrou exatamente o contrário. Ao falar sobre trajetória, pesquisa, universidades estrangeiras e tributação, Joana Naritomi conectou temas que fazem parte do cotidiano brasileiro: nota fiscal, arrecadação, sonegação, fiscalização, confiança nas instituições e participação dos cidadãos.

Além disso, a presença dela em Vitória representava uma oportunidade rara. Não é todo dia que uma cidade recebe uma pesquisadora brasileira com doutorado em Harvard, experiência no Banco Mundial e atuação em uma das universidades mais respeitadas do mundo. Mesmo assim, o público não lotou o auditório, o que também gerou uma reflexão importante sobre como a educação, a ciência e a pesquisa ainda recebem pouca atenção no Brasil.

Segundo o Estudar Fora, Joana saiu do Brasil para fazer o PhD em Harvard, mas manteve o olhar voltado para problemas brasileiros, especialmente a sonegação fiscal e o papel dos cidadãos na melhoria da arrecadação. Referência: https://www.estudarfora.org.br/joana-naritomi-nos-eua-ou-em-londres-sempre-de-olho-no-brasil/. (Estudar Fora)

O evento na FUCAPE em Vitória-ES

A palestra aconteceu na FUCAPE, em Vitória, no Espírito Santo. Como muitos eventos acadêmicos, exigia inscrição prévia. No meu caso, eu quase esqueci de me inscrever. Apenas um dia antes, acessei o site do evento e coloquei meus dados, sem imaginar que a participação também renderia certificado.

Esse detalhe fez diferença. Para estudantes universitários, horas extracurriculares ajudam bastante. Ainda assim, o maior valor da palestra não estava no certificado, mas no contato direto com uma pesquisadora brasileira que transformou temas complexos de economia pública em pesquisa de impacto internacional.

No dia do evento, o avião da professora atrasou. Por isso, os organizadores precisaram reorganizar a programação. A ideia inicial era ter primeiro um bate-papo, depois uma pausa para coffee break e, em seguida, a apresentação da tese de doutorado. Com o atraso, o coffee break foi adiantado, e depois vieram o bate-papo e a apresentação, sem intervalo entre os dois momentos.

Durante esse período, também houve experimentação e venda do café Caramello. Foi um detalhe simples, mas ajudou a deixar o ambiente mais informal. Em eventos assim, a convivência antes da palestra cria oportunidades de conversar com outros alunos, professores e profissionais.

A presença do público e a valorização da educação

O bate-papo teve cerca de 60 pessoas. Já a apresentação da tese reuniu aproximadamente 30 participantes. Considerando o tamanho da Grande Vitória e a relevância da convidada, a quantidade de pessoas chamou atenção.

Naturalmente, nem todo mundo precisa gostar de economia, pesquisa ou debates acadêmicos. No entanto, ver um auditório relativamente vazio para uma professora brasileira formada em Harvard faz pensar sobre as prioridades culturais do país. Muitas vezes, shows, festas e eventos de entretenimento recebem grande mobilização, enquanto palestras gratuitas com pessoas altamente qualificadas passam quase despercebidas.

Essa comparação não serve para atacar o entretenimento. Pelo contrário, lazer também é importante. Ainda assim, uma sociedade que valoriza pouco o conhecimento perde oportunidades de aprender, debater problemas reais e formar redes de pessoas interessadas em soluções de longo prazo.

Por isso, a Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi foi marcante não apenas pelo conteúdo, mas também pelo contraste entre a importância do tema e o público limitado.

Quem é Joana Naritomi?

Joana Naritomi é uma economista brasileira com trajetória acadêmica internacional. Ela se formou em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez mestrado na PUC-Rio e depois seguiu para o PhD em Harvard. O artigo do Estudar Fora destaca que o interesse dela por um doutorado ganhou força após sua experiência no Banco Mundial, onde percebeu que pesquisas mais profundas frequentemente eram conduzidas por profissionais com PhD. Referência: https://www.estudarfora.org.br/joana-naritomi-nos-eua-ou-em-londres-sempre-de-olho-no-brasil/. (Estudar Fora)

Atualmente, seu trabalho aparece associado a temas como economia pública, desenvolvimento econômico, economia política, história econômica e microeconomia aplicada. O perfil oficial da LSE informa que ela publicou pesquisas no American Economic Review e no Journal of Economic History, além de ter trabalhos mencionados por veículos como The New York Times, The Economist e Folha de São Paulo. Referência: https://www.lse.ac.uk/people/joana-naritomi. (LSE)

Uma brasileira pesquisando o Brasil de fora

Um dos pontos mais interessantes da trajetória de Joana Naritomi é a relação dela com o Brasil. Mesmo estudando e trabalhando nos Estados Unidos e no Reino Unido, ela não deixou de pesquisar problemas brasileiros.

Essa escolha tem muito valor. Frequentemente, pesquisadores brasileiros que vão para centros internacionais estudam temas globais ou países desenvolvidos. Porém, Joana manteve o foco em questões brasileiras, como sonegação fiscal, instituições, desenvolvimento e capacidade do Estado.

Na prática, isso mostra que estudar fora não significa abandonar o Brasil. Pelo contrário, a experiência internacional pode ampliar a visão sobre problemas nacionais. Além disso, universidades estrangeiras oferecem métodos, redes e recursos que podem ajudar pesquisadores brasileiros a analisar o país com mais rigor.

A conversa sobre carreira acadêmica

Durante o bate-papo, Joana falou sobre sua carreira acadêmica e sobre as dúvidas que teve ao longo do caminho. Ela comentou que não tinha certeza se continuaria na carreira acadêmica, mas buscava uma área de estudo aplicada à realidade.

Esse ponto foi importante porque muitos estudantes imaginam trajetórias de sucesso como caminhos lineares. Entretanto, carreiras acadêmicas também envolvem dúvidas, escolhas, incertezas e mudanças de direção. A diferença está em como a pessoa transforma essas dúvidas em movimento.

No caso de Joana, a experiência no Banco Mundial ajudou a mostrar a importância da pesquisa profunda para responder a grandes questões públicas. Assim, o doutorado apareceu não apenas como um título, mas como uma ferramenta para produzir conhecimento com impacto.

UFRJ, PUC-Rio e diferentes estilos de formação em Economia

Outro tema interessante foi a diferença entre a UFRJ e a PUC-Rio. Segundo o relato da palestra, Joana comentou que a UFRJ tinha uma formação em Economia com abordagem mais social, enquanto a PUC-Rio apresentava um perfil mais aplicado, com econometria, modelos matemáticos e métodos quantitativos.

Essa diferença também aparece em muitas universidades brasileiras. Em geral, cursos públicos podem ter maior peso em história econômica, pensamento econômico, economia política e questões sociais. Por outro lado, algumas instituições privadas ou programas específicos enfatizam econometria, finanças, mercado, dados e modelos formais.

No Espírito Santo, essa comparação também fazia sentido entre UFES e FUCAPE. A UFES, como universidade pública, tende a oferecer uma formação mais ampla e crítica. A FUCAPE, por sua vez, ficou conhecida por uma abordagem mais aplicada, com maior proximidade com contabilidade, finanças, gestão e mercado.

Ainda assim, nenhuma dessas formações é “melhor” em termos absolutos. Cada uma prepara o aluno para objetivos diferentes. Enquanto uma base histórica e social ajuda a entender instituições, desigualdade e desenvolvimento, uma formação quantitativa fortalece análise de dados, avaliação de políticas públicas e pesquisa empírica.

Dicas para quem quer estudar fora

Uma das perguntas do público foi sobre como se candidatar a universidades estrangeiras. Joana destacou a importância de ter boas notas e bom desempenho nos exames exigidos pelos programas.

Esse conselho parece simples, mas é muito relevante. Processos seletivos internacionais costumam avaliar histórico acadêmico, cartas de recomendação, testes padronizados, proficiência em inglês, experiência de pesquisa, declaração de propósito e compatibilidade com o programa.

Além disso, bons programas de pós-graduação querem evidências de disciplina, capacidade analítica e clareza de objetivos. Dessa forma, o aluno que deseja estudar fora precisa se preparar com antecedência.

Notas, proficiência e consistência acadêmica

Boas notas não garantem aprovação, mas ajudam. Em muitos editais, o histórico acadêmico funciona como filtro inicial. Reprovações, notas baixas e falta de consistência podem dificultar o processo, especialmente em universidades muito competitivas.

Ao mesmo tempo, exames de proficiência como TOEFL e IELTS podem ser exigidos por instituições em países de língua inglesa. Dependendo do programa, testes como GRE ou GMAT também podem aparecer, principalmente em áreas quantitativas, negócios, economia e políticas públicas.

Portanto, quem sonha com uma universidade no exterior deve começar cedo. Vale construir uma boa base em inglês, participar de projetos de pesquisa, conversar com professores, buscar iniciação científica, publicar textos, fazer cursos complementares e entender os requisitos de cada programa.

Estados Unidos, Europa e diferenças na carreira acadêmica

Outra pergunta abordou as diferenças entre a educação superior nos Estados Unidos e na Europa. Na palestra, Joana explicou que o sistema dos Estados Unidos tende a ser mais competitivo e menos estável, especialmente no início da carreira acadêmica.

Em universidades americanas, professores muitas vezes precisam passar por avaliações intensas antes de obter estabilidade. Esse modelo cobra publicações, desempenho em pesquisa, aulas, orientação e participação institucional. Consequentemente, a pressão por resultados costuma ser alta.

Na Europa, segundo a explicação apresentada no evento, o modelo tradicional se aproximava mais da estabilidade docente. Porém, esse mercado também vinha mudando, com maior influência de padrões competitivos semelhantes aos dos Estados Unidos.

Essa comparação ajuda estudantes brasileiros a entender que “fazer carreira fora” não significa apenas entrar em uma universidade prestigiada. É preciso compreender regras institucionais, expectativas de produtividade, cultura acadêmica, financiamento e oportunidades de longo prazo.

A tese: Consumers as Tax Auditors

Depois do bate-papo, Joana Naritomi apresentou sua pesquisa Consumers as Tax Auditors. Os slides estavam em inglês, mas ela falou em português, o que facilitou bastante a compreensão para o público.

O estudo analisa a Nota Fiscal Paulista, programa criado no Estado de São Paulo para incentivar consumidores a pedirem nota fiscal. A lógica central é simples e poderosa: quando consumidores exigem recibos ou notas, eles ajudam o governo a criar rastros de informação sobre vendas finais. Com isso, empresas têm mais dificuldade para esconder faturamento.

A versão de 2015 do paper, disponível no site da International Institute of Public Finance, explica que o acesso a informações de terceiros é considerado essencial para sistemas tributários modernos. O artigo investiga como o aumento desses rastros de informação pode melhorar o cumprimento das obrigações fiscais. Referência: http://www.iipf.org/papers/Naritomi-Consumers_as_tax_auditors-151.pdf.

O problema da sonegação fiscal

A sonegação fiscal é um dos grandes desafios de países em desenvolvimento. Quando empresas ou indivíduos deixam de declarar corretamente suas receitas, o governo arrecada menos. Como consequência, há menos recursos para saúde, educação, infraestrutura, segurança, saneamento e outros serviços públicos.

Além disso, a sonegação cria concorrência desigual. Empresas que cumprem as regras enfrentam custos maiores, enquanto concorrentes informais ou sonegadores podem reduzir preços artificialmente. Assim, o problema não afeta apenas o governo, mas também o mercado, os consumidores e a confiança social.

O Banco Mundial, em texto escrito por Joana Naritomi, destaca que a fiscalização tributária é um tema central de finanças públicas em países em desenvolvimento, pois a evasão prejudica a arrecadação e gera distorções econômicas. Referência: https://blogs.worldbank.org/en/impactevaluations/incentivizing-consumers-against-tax-evasion-guest-post-joana-naritomi. (World Bank Blogs)

Como consumidores podem atuar como auditores fiscais?

A ideia de “consumidores como auditores fiscais” não significa que cidadãos substituem auditores profissionais. Na verdade, o programa cria incentivos para que consumidores peçam nota fiscal, consultem registros e denunciem irregularidades.

Dessa forma, o governo amplia sua capacidade de monitoramento sem precisar estar fisicamente em cada estabelecimento. Cada compra com nota gera um registro. Quando milhões de consumidores pedem documentos fiscais, a quantidade de informação disponível aumenta de forma significativa.

No caso da Nota Fiscal Paulista, o programa oferecia recompensas monetárias e bilhetes de loteria para consumidores que informassem seu CPF nas compras. Assim, pedir a nota deixou de ser apenas uma atitude cidadã e passou a ter incentivo econômico direto.

O blog do Banco Mundial resume bem essa lógica ao explicar que a Nota Fiscal Paulista oferecia abatimentos e bilhetes de loteria para consumidores que coletavam recibos. Referência: https://blogs.worldbank.org/en/impactevaluations/incentivizing-consumers-against-tax-evasion-guest-post-joana-naritomi. (World Bank Blogs)

Os dados usados na pesquisa

Durante a palestra, alguém perguntou como Joana conseguiu os dados. Ela explicou que precisou de autorização do governo e que acessava as informações em um computador sem internet, justamente por se tratar de dados sensíveis.

Esse detalhe mostra a seriedade de pesquisas com dados administrativos. Quando pesquisadores lidam com informações fiscais, precisam seguir regras rígidas de segurança, confidencialidade e proteção de dados.

A página de replicação do estudo no openICPSR informa que a pesquisa usou registros administrativos da autoridade tributária de São Paulo, a SEFAZ-SP, no período de 2004 a 2011. A mesma página também menciona que os dados foram desidentificados, mas continuavam confidenciais. Referência: https://www.openicpsr.org/openicpsr/project/116185/version/V1/view. (openICPSR)

Principais resultados do estudo

A pesquisa encontrou impactos relevantes. A versão inicial do paper estimou que a receita reportada pelas firmas aumentou pelo menos 22% ao longo de quatro anos. Já a descrição da versão publicada e dos dados de replicação informa aumento de pelo menos 21% no mesmo período. Essa diferença pequena pode refletir ajustes entre versões do trabalho acadêmico. Referências: http://www.iipf.org/papers/Naritomi-Consumers_as_tax_auditors-151.pdf e https://www.openicpsr.org/openicpsr/project/116185/version/V1/view.

Outro resultado importante foi o efeito das reclamações dos consumidores. Na versão de 2015, o estudo relata que firmas passaram a reportar mais recibos e mais receita após receberem a primeira reclamação de consumidor. Isso reforça a ideia de que a ameaça de denúncia pode alterar o comportamento das empresas.

Além disso, a página de replicação do openICPSR informa que a receita tributária líquida de recompensas aumentou 9,3%. Esse dado é fundamental porque mostra que o programa não apenas distribuiu benefícios aos consumidores, mas também melhorou o resultado fiscal líquido. Referência: https://www.openicpsr.org/openicpsr/project/116185/version/V1/view. (openICPSR)

Por que a Nota Fiscal Paulista foi ousada?

Na palestra, havia um funcionário de alto escalão da Receita Estadual do Espírito Santo bastante interessado na apresentação. Pelo clima da conversa, ficou claro que a Nota Fiscal Paulista foi uma política ousada para os padrões tributários brasileiros.

O Brasil tem um sistema tributário complexo. Além disso, muitos consumidores não têm o hábito de pedir nota fiscal, especialmente em compras menores. Por isso, criar um programa que transforma consumidores em participantes ativos da fiscalização muda a relação entre governo, empresas e cidadãos.

Essa política também toca em um ponto sensível: confiança. Para o consumidor participar, ele precisa acreditar que o sistema funciona, que os benefícios são reais e que suas informações serão protegidas. Para o governo, o desafio envolve tecnologia, fiscalização, comunicação e segurança dos dados.

Tributação, compliance e comportamento das empresas

Um dos pontos mais interessantes da palestra foi a conexão entre tributação e compliance. Compliance significa seguir regras, criar controles internos, reduzir riscos e evitar práticas ilegais ou antiéticas. Empresas usam programas de compliance para prevenir fraudes, corrupção, sonegação, conflitos de interesse e violações regulatórias.

No caso tributário, compliance envolve emitir notas corretamente, declarar receitas, pagar impostos, manter registros confiáveis e agir de acordo com a legislação. Quando uma política pública aumenta a chance de detecção de irregularidades, ela altera os incentivos das empresas.

Portanto, a pesquisa de Joana Naritomi não trata apenas de impostos. Ela também mostra como desenho institucional, tecnologia, incentivos e participação social podem influenciar o comportamento do setor privado.

O que estudantes de Economia podem aprender com essa palestra?

A Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi trouxe várias lições para estudantes de Economia. A primeira é que pesquisa acadêmica pode tratar de problemas concretos. Sonegação fiscal, arrecadação e nota fiscal não são assuntos abstratos, pois afetam diretamente a capacidade do Estado de financiar políticas públicas.

Outra lição envolve método. Joana não apenas opinou sobre a Nota Fiscal Paulista. Ela analisou dados administrativos, explorou variações de exposição à política e construiu evidências empíricas. Desse modo, o debate fica mais forte do que uma simples discussão ideológica.

Também ficou evidente que a formação acadêmica precisa combinar teoria e aplicação. Um bom economista deve entender modelos, história, instituições, estatística, incentivos e contexto social. Sem essa combinação, a análise pode ficar superficial.

A importância de eventos acadêmicos regionais

Vitória não está entre os maiores centros acadêmicos do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Belo Horizonte. Mesmo assim, eventos como esse mostram que cidades médias também podem receber debates de alto nível.

Quando universidades, conselhos profissionais e instituições locais promovem palestras, estudantes ganham acesso a referências que talvez só conhecessem pela internet. Além disso, esses encontros criam motivação. Ver uma brasileira que estudou na UFRJ, passou pela PUC-Rio, trabalhou no Banco Mundial, fez PhD em Harvard e chegou à LSE ajuda alunos a imaginarem caminhos maiores.

Por isso, a baixa presença do público foi triste, mas a existência do evento foi muito positiva. Mesmo com poucas pessoas, quem participou teve contato com ideias relevantes e com uma trajetória inspiradora.

Reflexão pessoal sobre educação no Brasil

A palestra me fez pensar sobre o quanto a educação ainda é desvalorizada no Brasil. Muitas pessoas reclamam da situação econômica, da corrupção, dos impostos e da baixa qualidade dos serviços públicos. Porém, quando surge a chance de ouvir uma especialista analisando justamente esses problemas, pouca gente aparece.

Essa contradição revela algo importante. O desenvolvimento de um país não depende apenas de governos, empresas ou universidades. Ele também depende do interesse da sociedade por conhecimento.

Claro que existem barreiras reais. Muitas pessoas trabalham, têm pouco tempo, enfrentam transporte ruim ou não ficam sabendo desses eventos. Ainda assim, estudantes universitários e profissionais da área poderiam aproveitar mais oportunidades gratuitas de aprendizado.

Como a palestra se conectou com minha experiência profissional

Na época, eu estagiava na Aegea, empresa do setor de saneamento. Durante a palestra, consegui associar vários pontos da pesquisa com políticas internas de controle, monitoramento e ética empresarial.

Saneamento, tributação e compliance parecem áreas diferentes, mas compartilham uma lógica comum. Todas dependem de regras claras, dados confiáveis, fiscalização, incentivos corretos e prestação de contas.

Em uma empresa, compliance ajuda a evitar fraudes e condutas antiéticas. No governo, sistemas de fiscalização bem desenhados ajudam a reduzir sonegação e aumentar a arrecadação. Em ambos os casos, a qualidade das instituições faz diferença.

A força da pesquisa aplicada

A pesquisa de Joana Naritomi mostra a força da economia aplicada. Em vez de discutir apenas teorias gerais sobre impostos, ela estudou uma política pública real, com dados reais e consequências práticas.

Esse tipo de pesquisa ajuda governos a responder perguntas importantes. Programas de recompensa funcionam? Consumidores reagem a incentivos? Empresas mudam comportamento quando o risco de denúncia aumenta? A arrecadação líquida compensa os custos das recompensas?

Essas perguntas têm impacto direto sobre políticas públicas. Portanto, estudos como Consumers as Tax Auditors ajudam a transformar debates políticos em análises baseadas em evidências.

Reconhecimento acadêmico de Consumers as Tax Auditors

O artigo Consumers as Tax Auditors foi publicado no American Economic Review em 2019, uma das revistas mais prestigiadas da área de Economia. O perfil de pesquisa de Joana Naritomi informa que o trabalho saiu no volume 109, número 9, páginas 3031 a 3072, e recebeu prêmios acadêmicos relacionados a economia do setor público e tributação. Referência: https://joananaritomi.com/research/. (Joana Naritomi)

Esse reconhecimento reforça a relevância internacional do tema. Embora a pesquisa use dados do Brasil, sua contribuição dialoga com uma questão global: como governos podem melhorar a fiscalização tributária e reduzir evasão quando possuem recursos limitados?

Por que esse tema continua atual?

O tema continua atual porque países como o Brasil ainda enfrentam dificuldades de arrecadação, informalidade e baixa confiança institucional. Mesmo com avanços tecnológicos, a fiscalização de milhões de transações diárias permanece desafiadora.

Além disso, a digitalização da economia criou novas possibilidades. Notas fiscais eletrônicas, pagamentos digitais, cruzamento de bases de dados e plataformas online podem ampliar a capacidade do Estado. Porém, essas ferramentas também exigem governança, transparência e proteção da privacidade.

Nesse contexto, a pesquisa de Joana Naritomi segue relevante. Ela mostra que políticas públicas podem usar incentivos para envolver cidadãos no processo de fiscalização, mas precisam equilibrar eficiência, custos, segurança e legitimidade.

Conclusão: uma palestra que deu ânimo para estudar

A Palestra da PhD em Harvard Joana Naritomi em Vitória-ES foi muito mais do que um evento acadêmico. Ela mostrou que uma trajetória brasileira pode alcançar universidades de elite sem perder o vínculo com os problemas do país.

Além disso, a apresentação deixou claro que economia não se resume a gráficos, fórmulas ou discussões abstratas. Quando bem aplicada, a pesquisa econômica ajuda a entender políticas públicas, melhorar instituições e enfrentar desafios concretos, como a sonegação fiscal.

Foi inspirador conhecer uma pesquisadora que saiu do Brasil, estudou em Harvard, construiu carreira na LSE e continuou olhando para questões brasileiras. Eventos assim dão mais ânimo para estudar, seguir em frente e acreditar que conhecimento pode gerar impacto real.

Referências

Estudar Fora. Joana Naritomi: nos EUA ou em Londres, sempre de olho no Brasil.
URL: https://www.estudarfora.org.br/joana-naritomi-nos-eua-ou-em-londres-sempre-de-olho-no-brasil/

Joana Naritomi. Site oficial.
URL: https://joananaritomi.com/

London School of Economics and Political Science. Dr Joana Naritomi.
URL: https://www.lse.ac.uk/people/joana-naritomi

Naritomi, Joana. Consumers as Tax Auditors. International Institute of Public Finance, PDF, 2015.
URL: http://www.iipf.org/papers/Naritomi-Consumers_as_tax_auditors-151.pdf

Joana Naritomi. Research page.
URL: https://joananaritomi.com/research/

World Bank Blogs. Incentivizing consumers against tax evasion: Guest post by Joana Naritomi.
URL: https://blogs.worldbank.org/en/impactevaluations/incentivizing-consumers-against-tax-evasion-guest-post-joana-naritomi

openICPSR. Replication data for: Consumers as Tax Auditors.
URL: https://www.openicpsr.org/openicpsr/project/116185/version/V1/view

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